English
Tradição Pantaneira


Profª. Albana Xavier Nogueira
A região denominada Pantanal abrange grande extensão do estado de Mato Grosso do Sul e se estende por enorme área que extrapola as fronteiras com a República do Paraguai e a Bolívia, dois países latinos com os quais convivemos em condições de solidariedade. Ao longo do seu percurso histórico, foi percorrida por aventureiros, pelos conquistadores espanhóis e, ainda, por portugueses, bandeirantes, jesuítas. Entretanto, somente depois da Guerra do Paraguai foi realmente ocupada por migrantes de várias regiões do país, que trouxeram, nas suas bagagens, não só uma imensa riqueza de sotaques, de gestos, de formas de olhar a imensa planície que, em alguns lugares, lembrava um mar de água doce.
Esses desbravadores, reconhecendo a terra propícia â pecuária, foram se estabelecendo na região e, construindo, juntamente com os primeiros ranchos, um modo de ser e de viver coerentes com a adaptação a esse mundo desabitado e distante de quaisquer povoações, onde era mais fácil comunicar-se com os próprios paraguaios do que com outros brasileiros. Nascia, assim, uma cultura rural diferente, alicerçada nos ditames da pecuária, praticada por pessoas de origens diversas, que, aos pouco, se adaptavam ao novo convívio. Foi desse relacionamento e dessa troca que nasceram as tradições, os hábitos, as crenças, os valores, que foram repassados às sucessivas gerações de pantaneiros.
Dentre os traços mais relevantes da cultura pantaneira podem ser ressaltados o espírito de solidariedade, a hospitalidade, o gosto pelas festas comemorativas de datas, como: casamento, santos de devoção do fazendeiro, (geralmente festa de São Sebastião, do Divino), batizado, fundação da fazenda, dentre outras. Os pantaneiros tradicionais costumam dizer que, antigamente, no Pantanal, tudo era motivo para festas, que duravam vários dias, entre carreiradas, apostas, grandes bailes, em que as polcas paraguaias disputavam a preferência dos pares de dançarinos. Nessas ocasiões não faltava o churrasco, regado com o tereré, somados à alegria e à amizade peculiares aos habitantes dos pantanais. Hoje, devido à crise da pecuária, ao êxodo de fazendeiros típicos em direção às cidades, à chegada dos neopantaneiros, dentre outras causas, vêm ocorrendo mudanças aceleradas nos hábitos culturais e nas tradições da gente pantaneira. Poucos são os fazendeiros que, como os proprietários da Fazenda 23 de Março, procuram preservar aspectos relevantes dessa cultura milenar, que corre o risco de desaparecer, nivelando-se às exigências dos modelos culturais da pós-modernidade.

Profª. Albana Xavier Nogueira
Formada em Letras pela FUCMT, possui doutorado em Letras, na área de Dialetologia Social. Tese defendida: A linguagem do homem pantaneiro, na Universidade Mackenzie-São Paulo. Atualmente é professora do Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional/UNIDERP, onde leciona a disciplina Cultura e Ambiente. Possui livros, capítulos de livros e artigos publicados.  Suas pesquisas abordam temas relacionados à cultura pantaneira.


Fone Escritório Campo Grande: (67) 3321-4737 / Fones na Fazenda: (67) 9997-2303 , 9987-4373 Copyright Fazenda 23 de março - 2011 - Paiol Propaganda